quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O jardim onde vivemos

A Clara só se sentia completamente em casa quando, em criança, inventava o seu mundo nos jardins de casa dos pais ou dos avós. Nem sequer precisava de grandes espaços. De um pequeno recanto, desde que tivesse arbustos, erva e flores, fazia um reino mágico, povoado de fadas e de gnomos que só ela via.

A Maria ainda hoje precisa dos penedos formidáveis das terras da Beira Baixa, onde fica a quinta dos avós, para ganhar novas forças e se sentir embalada sob o céu de estrelas imutável que lhe devolve a infância tão particular.

Eu aprendi tanto com a Sereiazinha que nunca lhe poderei agradecer o suficiente a companhia que me fez e o amor que lhe devotei. De resto, era nos contos de fadas que me reconhecia enquanto ser, porque era lá que se encontravam o meu universo e as minhas pessoas.

A cabeça de uma criança é uma nave espacial. Guardemos com um tesouro sem preço, o legado da nossa infância. Porque mesmo quando viver é muito difícil, e todas as crianças conhecem essa dor por mais amadas e protegidas que sejam, a capacidade de criar, recriar e voar que temos, ajuda-nos a enfrentar todos os desafios.

E é um passaporte para a vida.