sábado, 25 de janeiro de 2014

A Imaginação é a fábrica dos sonhos

Como é que se escreve ficção? Como se constrói uma história que nunca ninguém nos contou e queremos contar a toda a gente, a começar pelo mais exigente dos leitores - nós próprios?

John Bauer (1882-1918) Ilustração de The Seven Wishes em Among pixies and trolls de Alfred Smedberg.

Há uma Fábrica de Sonhos no coração de todos nós, com sede na cabeça e delegações pelo corpo todo. Chama-se Imaginação, e é, por definição, criadora. Para escrever ficção, temos de ir morar lá. Tirar passe. Estabelecer um estaminé com carácter permanente no País da Fantasia. Ali onde a imaginação, a principio difícil de controlar e dirigir, nos aguarda para nos levar para todo o lado. Até aos confins do universo, até ao fundo do mar, até ao fundo de nós.

Como é que isso se faz? Conquistando a nossa própria estrutura narrativa, com dedicação incansável, através de tentativas, erros e da descobertas da nossa voz singular. Este labor tem forçosamente de ser secundada e apoiado em leituras, muitas e múltiplas. E neste caso, acho, muito sinceramente, que nenhum escritor o é completamente se não foi, algures num tempo de vida, alimentado com Histórias de Encantar, Contos de Fadas, Mitologias, Lendas. Porque todas elas, e cada uma em particular, acordam a nossa mais oculta e antiga memória arquetípica, religando-nos ao legado universal. Ali, onde todos somos, e fomos, e seremos, todos e tudo.

Todos os povos as têm. Em todas as latitudes, e longitudes, desde o fundo dos tempos. E o fantásticos delas, é que nunca envelhecem. Podemos lê-las em qualquer altura da nossa vida, sem contraindicação, pois todas elas, de uma forma maravilhosa, falam a níveis de consciência de que não temos grande consciência. Pelo menos, quando estamos acordados.

Aqui ficam duas ligações para dois pequenos, grandes tesouros:

Dinah Maria Mulock Craik, The Fairy Book: The Best Popular Stories.
Comtesse de Ségur, Nouveaux contes de fées pour les petits enfants.