quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O jardim onde vivemos

A Clara só se sentia completamente em casa quando, em criança, inventava o seu mundo nos jardins de casa dos pais ou dos avós. Nem sequer precisava de grandes espaços. De um pequeno recanto, desde que tivesse arbustos, erva e flores, fazia um reino mágico, povoado de fadas e de gnomos que só ela via.

A Maria ainda hoje precisa dos penedos formidáveis das terras da Beira Baixa, onde fica a quinta dos avós, para ganhar novas forças e se sentir embalada sob o céu de estrelas imutável que lhe devolve a infância tão particular.

Eu aprendi tanto com a Sereiazinha que nunca lhe poderei agradecer o suficiente a companhia que me fez e o amor que lhe devotei. De resto, era nos contos de fadas que me reconhecia enquanto ser, porque era lá que se encontravam o meu universo e as minhas pessoas.

A cabeça de uma criança é uma nave espacial. Guardemos com um tesouro sem preço, o legado da nossa infância. Porque mesmo quando viver é muito difícil, e todas as crianças conhecem essa dor por mais amadas e protegidas que sejam, a capacidade de criar, recriar e voar que temos, ajuda-nos a enfrentar todos os desafios.

E é um passaporte para a vida.  

terça-feira, 3 de setembro de 2013

De Angola com amor

Os livros, escritos e por escrever, criam as mais impensáveis pontes. Sem tempo nem distância, a fraternidade do espírito é um vento vivificador que acorda ressonâncias mágicas e recorda-nos quem realmente somos.

Isso, e amar. Mas o amor é tudo isso.

De Angola, chegam-me os primeiros textos. Excelentes. Como poderia ser de outra forma, tratando-se de quem os escreve?
As noites mágicas na Baía de Luanda

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Querido Diário

«Como se a minha vida interessasse a alguém» -- comentário céptico que reproduz em síntese um email recentemente recebido.

A equação está mal colocada. A nossa vida interessa muitíssimo. A quem? A nós mesmos para começar. Desde logo, porque é a única de que dispomos. Tanto quanto sabemos nem o gato tem aquelas todas que se diz. E isso leva-nos à segunda permissa. Se só temos uma, pelo menos pelo registo da memória actual, é sobre essa que devemos trabalhar e reflectir. Não necessariamente escrevendo livros, está bom de ver. Há outras formas de auto-conhecimento e reflexão que nos podem conduzir nesse sentido. 
Querido Diário. Hoje usei as minhas palavras e elas libertaram-me.
 
Mas o que sinto, e tenho confirmado, é que, com orientação «oficinal» ou sem ela, o registo literário das nossas memórias é uma das melhoras formas de estruturarmos o pensamento. Sendo, igualmente, um exercício criador que acorda  as «saudades» do futuro que desejamos viver e revelando-nos muito de nós que ignorávamos. Recordemo-nos dos diários de adolescentes que todos ou todas mais ou menos mantivemos. Foram ou não foi uma companhia inesquecível?

E não era para mostrar a ninguém... Até ao dia que os olhámos com o olhar do futuro que se fez presente, e resolvemos partilhá-los com alguém. Ou deixá-los à família. Ou simplesmente, entregá-los às chamas, em privada cerimónia muito nossa. Ou, quem sabe?, publicar o que escrevemos. Por nossa livre decisão.

Créditos da imagem no link: «Keeping Diaries Increasingly Common Among Teenage Girls, Study Finds

domingo, 1 de setembro de 2013

Skype me or something

Os pedidos de inscrição de fora de Lisboa - de Portugal, mas também de Angola e do Brasil - estão a incitar-me a desenvolver mais depressa do que tinha pensado outras plataformas.

Aos candidatos às nossas Oficinas de Escrita que estão longe: está para breve. Com toda a proximidade da palavra e do gesto.

O mundo ficou tão próximo, que não há desculpa mesmo.

 

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Como escrever uma biografia e ter um livro publicado

O tema deste próximo curso  vai na sequência de outros que já orientámos, no sentido de enfrentarmos a nossa memória para lhe dar voz e corpo. E responde a perguntas fundamentais como:

Que técnicas devemos utilizar? Como passar do sonho à realidade, da imaginação à concretização da uma obra literária tão pessoal?
Boas Noticias: regressam as Oficinas de Escrita de Manuela Gonzaga

Como sempre, há que começar... pelo principio. Com um projecto oficinal ao longo do qual se adquirem «ferramentas», e estrutura ou base de «assentamento», para se produzir trabalho visível. Mas... como discorrer sobre tanta coisa que nos aconteceu, mergulhar em tanto passado, lidar com recordações, boas, más, alegres, tristes, maravilhosas, exultantes, deprimentes, curiosas, palpitantes... o que escolher e por onde escolher? O que será que nos define, enquanto pessoas, no aqui e agora das nossas vidas?

Embora as minhas aulas privadas tenham dado, e continuem a dar frutos e até resultados palpáveis - livros em vias de edição - no que diz respeito a biografia, o trabalho em grupo é muito mais enriquecedor. Há trocas de ideias, partilhas, momentos de convívio, amizades que nascem nestes encontros, na informalidade dos cafezinhos «antes» e «depois». E também no «durante» com a partilha dinâmica dos textos, a entreajuda para o muitas vezes inevitável desbloqueio, e a satisfação pelos aplausos inesperados e sempre bem vindos.

Mas a grande novidade, desta vez, é que, no fim do curso, teremos autores publicados em livro antológico e com ele  o prazer indizível de se levar para casa a primeira obra do resto das vossas vidas.

E tudo feito por vós.

ESTRUTURA

A minha vida dava um livro

4 módulos orientados e concebidos pela escritora Manuela Gonzaga

Oferta de livro antológico com os melhores textos da oficina!


Livraria Alêtheia
De 3 de a 26 de Setembro
3.ª e 5.ª feiras – 18.30 h às 20 horas
Preço: 40 €/módulo
(inclui oferta de livro antológico com os melhores textos da oficina)

Horas de formação: 12 horas
N.º Sessões: 8

Conceito
Palavra e memória na reconstrução da identidade
Da história pessoal para o registo literário, uma reflexão escrita sobre a própria identidade e desenvolvida ao longo de três módulos independentes, com um módulo adicional.

1. «Bilhete de Identidade»: quem sou eu?
3 e 5 de Setembro de 2013
Duração: 3 horas (90 minutos por sessão)

2. «Memórias de infância»: que pessoas ao meu redor me marcaram?
10 e 12 de Setembro de 2013
Duração: 3 horas (90 minutos por sessão)

3. «A minha vida dava um livro»: momento fundador da narrativa.
17 e 19 de Setembro de Setembro de 2013
Duração: 3 horas (90 minutos por sessão)

4. «Um escritor confessa-se»: relatos na primeira pessoa.
24 e 26 de Setembro de 2013
Duração: 3 horas (90 minutos por sessão)

Inscrições: por email aletheia@aletheia.pt, ou telefone 210939748.

Apoio:
Boas Notícias: Regressam Oficinas de Escrita de Manuela Gonzaga
Alêtheia Editores: A minha vida dá um livro
 

sábado, 17 de agosto de 2013

Oficinas são... BOAS NOTÍCIAS!

O espaço mais feliz do mundo virtual não deixou passar em claro o regresso das nossas Oficinas. Falamos de Boas Notícias, onde só se fala do que é positivo e inspirador e onde a alegria é o maior denominador comum.
Citamos:

«Depois do sucesso das primeiras edições das oficinas "A minha vida dava um livro", a escritora Manuela Gonzaga está de regresso com mais um curso de escrita criativa.

À semelhança das anteriores edições, a formação tem uma duração total de 12 horas, dividas em quatro módulos de três horas cada um. As sessões decorrem de 3 a 26 de Setembro, sempre às terças e quintas-feiras, entre as 18h30 e as 20horas, na livraria Alêtheia (R. do Século nº 13).»

Para ler o artigo todo: Regressam Oficinas de Escrita de Manuela Gonzaga